Deterioração dos serviços do ecossistema
A oferta de produtos naturais e básicos para a vida, como a água e o ar puros, depende da preservação e não há substitutos que possam ser criados pelo homem.
O ser humano, tanto dos centos urbanos quanto os que vivem em contato com a natureza, necessita de ecossistemas naturais, seja para o fornecimento de água e alimentos colhidos diretamente da natureza,quanto pelo processo ecossistêmicos, como a regulação hídrica, a polinização, e mesmo pelo controle biológico de pragas agrícolas.
A natureza é também fonte de contemplação e lazer, de fortalecimento social das pessoas e está associada a diversos valores estéticos, culturais e espirituais. E o conjunto de benefícios vindos dos ecossistemas e colhidos diretamente ou indiretamente pelo homem, denomina-se serviços ecossistêmicos.
O consumo dos recursos naturais cresceram muito nos últimos tempos, para satisfazer um padrão de vida cada vez mais confortável e, na mesma proporção, cresceram os resíduos, em regra, despejados sem tratamento diretamente nos lagos, rios, oceanos e nos ecossistemas terrestres. E devido à atividade humana já transgredimos os limites de 3 fronteiras planetá-rias, pondo em grave ameaça a longa era conhecida por Holoceno, em que a terra foi capaz de absorver perturbações internas e externas, e desde a revolução industrial vivenciamos um novo período – o Antropoceno, cuja maior característica é a centralidade das ações humanas sobre as mudanças ambientais globais.
A 1ª das fronteiras transgredidas foi a das mudanças climáticas, relacionada à emissão de gases de efeito estufa proveniente, a maioria, da queima de combustíveis fósseis e supressão da vegetação nativa. Para garantir as grandes camadas de gelo polar e manter o sistema terrestre com estabilidade, a concentração prudente de CO2 na atmosfera é de 350 partes por milhão (ppm), mas já ultrapassamos este nível em mais de 400, e, mesmo com o alerta da comunidade científica, as emissões continuam aumentando.
A 2ª fronteira ultrapassada foi a perda da diversidade biológica, que é considerada o impacto humano mais catastrófico e irreversível nos sistemas naturais, pois, além de suprimir definitivamente espécies diversas, poderá acarretar perdas de serviços ecossistêmicos para as condições mínimas de vida humana, ou outra. Estima-se que essa perda de espécie neste Antropoceno esteja entre 100 a 1000 vezes acima do ideal, e com repercuções na natureza, em razão da perda das funções ecológicas das espécies extintas, como a dos insetos (artrópodes), relacionados a processos de ciclagem de nutrientes, ao controle biológico das pragas e à polinização de cultivos alimentares ou não.
E a 3ª fronteirarefere-se à interferência humana no manejo da agricultura moderna nos ciclos do nitrogênio e fósforo, que são depositados em grande quantidade nos oceanos, nas regiões costeiras e no próprio sistema terrestre, e já tem causado mortandade em massa por anoxia (ausência de oxigênio), especialmente nos oceanos , rios e lagos.
A agricultura moderna, além de ser a maior causa de poluição, o é também de grandes áreas de ecossistemas naturais. Cerca de ¼ da superfície terrestre é destinado à produção de alimentos, e, nas últimas três décadas, a cobertura florestal reduziu-se em cerca de 40%. Serviços como atividade pesqueira, coleta de lenha e alimentos naturais; coleta de água doce para consumo direto, industrial e irrigação excederam níveis de sustentabilidade planetária.
A perda de fluxos dos serviços ecossistêmicos mostra-se danosa, pois, replicar os serviços fornecidos pelos sistemas naturaisé complexo e muito oneroso. É o que se constatou no experimento denominado Biosfera 2, em que pesquisadores criaram um ecossistema fechado no deserto do Arizona, USA, e tentaram replicar, sem sucesso, a biosfera da terra. Lá confinaram 8 pessoas , por 2 anos, mas não conseguiram garantir a perenidade daquele ambiente. A concentração de oxigênio caiu de 21% para 14%, obrigando à injeção de oxigênio puro ao interior daquela cápsula; detectou-se a concentração de altos níveis de dióxido de carbono e de óxido nítrico; algumas espécies, como a dos cipós e das formigas, proliferam em elevadas taxas, outras espécies se extinguiram, incluindo a maioria dos vertebrados e todos os insetos polinizadores, pondo em risco a sobrevivência de plantas que dependiam desses animais para reprodução. Isto demonstra que a preservação da biosfera 1, ou seja, do ecossistema natural, é imprescindível à manutenção da vida vegetal e animal.
Importante aspecto a ser observado é o da economia ecológica, comoalternativa autossustentável. E dentre os estudos de valorização ambiental no Brasil destacam-se o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o IPEA-Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, objetivando estimar a contribuição das unidades de conservação para a economia brasileira. Nesses estudos foi demonstrado que os serviços ecossistêmicos fornecidospelas áreas protegidas no Brasil geram economia de R$ 5,77 bilhões, por ano, em estimativa modéstia. O programa avaliou 5 serviços fornecidos de maneira efetiva ou potencial: extração dos produtos florestais, p.ex. , extração de borracha e castanha-do-Pará, produção e conservação dos recursos hídricos no Brasil, atividades turísticas, controle na emissão de carbono e repartição de receitas do ICMSecológico. Apenas com as atividades realizadas no turismo dos parques nacionais do Brasil, há um potencial para gerar de R$ 1,6 a 1,8 bilhões, por ano, até 2016. Fonte de pesquisa: Revista Scientific American Brasil, nº 140/2014.
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