sexta-feira, 27 de maio de 2016

Coordenadas e mapa do local do Sarau Junino do Celeiro:

BATE PAPO LITERÁRIO NO CELEIRO - POEMA ESSENCIAL EM FERREIRA GULLAR

​​Professor/escritor Ronaldo Alves Mousinho

Tradicionalmente, a matéria bruta para a alquimia poética é a palavra, constituída pelo verbo, substantivo, adjetivo, adjuntos, palavras e expressões de ligação, organizados com numa ordem sintática, com ritmo, sentimento, objetivando Arte poética.

Até 1922, por ocasião da Semana de Arte Moderna e comemoração centenário da independência do Brasil, vivíamos subjugados ao cânon europeu, especialmente ao lusitano, com uma tirania da sintaxe e da gramática, representada especialmente aqui no Brasil pela retórica melosa Parnasiana e a de Rui Barbosa e Coelho Neto, a que Lima Barreto denominou de pedantocracia bacharelesca. Isto criava um grande abismo entre a linguagem oral do povo e a linguagem literária.

Um dos pressupostos da Semana de Arte Moderna era o de elevar nível coloquial e a fala brasileira à categoria de valor literário e destruir a linguagem poética tradicional, optando por versos nominais, exclamativos, concisão da linguagem, abandono da pontuação e uso do verso livre, prestigiando os temas sociais e a realidade concreta.

Influenciados pelas vanguardas europeias, como futurismo, expressionismo, dadaísmo, surrealismo, os Modernistas atuaram em três momentos: o primeiro, o mais radical, destruidor de toda a tradição literária e implantando uma lit. nacional; o segundo, menos radical, incorporou a nova tendência, mas não abdicou totalmente de algumas formas tradicionais, e a terceira, retomou a tradição.

Na década de 50, os poetas vanguardistas e inventivos como Ferreira Gullar, Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos se insurgiram contra a poesia estagnada no seu formalismo e introduziram a poesia concreta, veiculada na revista Noigandres, que significa antídoto ao tédio, que circulou de 1956 a 1962.

 O poema concreto é constituído de palavras geometricamente dispostas sobre uma superfície, onde o espaço assume papel importante – o ideograma- numa comunicação não verbal, analógica-visual, ou seja, acrescentando ao elemento auditivo, o visual.

A expressão que bem define a poesia concreta em sua estrutura, em que as palavras não aparecem na forma ordenada da frase, mas analógicas, soltas, autossuficientes, é:  PALAVRA –SOM – FIGURA OU REPRESENTAÇÃO, na equação verbivocovisual (em 3 níveis: semântico, visual e sonoro).

Ex:  Ele                         ela     

                    elo

       anel                     anelo

 Todas as palavras (ele, ela, elo, anel, anelo) prendem-se à ideia central da palavra "elo", na sugestão de "anelo", que impulsiona os dois namorados (ele e ela) à união real, simbolizada no convencionado "anel".

 

A brevidade e concisão da poesia concreta retoma, de certa forma, a mesma linha evolutiva do poema-pílula, de O. Andrade, na década de 20, e por quem tinham simpatia os concretistas.

Gullar logo se manifesta insatisfeito com o concretismo, por vê-lo desvinculado da realidade sócio-política: "A redução do discurso e do poema a um mero signo visual acaba por dificultar qualquer referência à realidade concreta ... excessivamente racionalista". E segue a insatisfação do poeta em busca do poema ideal.

O vislumbre do poema essencial – Para Gullar, não se trata de subestimar a técnica e o domínio da expressão poética, mas torná-la uma sabedoria do corpo, como se o nascimento se equiparasse ao do fruto de uma árvore, produto perfeito e natural, veículo e resultado de uma elaboração profunda, insondável, porém, particularizando-se no aspecto de que fruto é igual a outro, enquanto que, cada poema deve ser único, inconfundível, com linguagem própria. Eis um protótipo do poema essencial de Gullar, de 1956.

Ex: Velhos sóis que a folhagem bebeu,/ luz, poeira, agora tecido no escuro./ Alto abandono em que os frutos alvorecem e rompem!/Mas não se exale a madurez desse tempo:/e role o ouro, escravo, no chão,/para que o que é canto se redima sem ajuda.

Mas o poema essencial exigia salto mais ousado do poeta, não apenas na ruptura com a sintaxe e o discurso, mas também com o conceito, subvertendo-se também a própria palavra, rumo ao seu desmembramento, e ao do fonema.  E é assim, no poema Roçzeiral, em que Gullar crê ter encontrado a forma do poema essencial, vez que lhe nasceu de uma experiência vivida: os canteiros ressequidos da Praia de Botafogo antes cobertos de flores e que no verso: AO SOPRO DA LUZ A TUA POMPA SE RENOVA NUMA ÓRBITA

é reinventado com subversão tanto da linguagem, quanto das palavras:

 AU SÔFLU E LUZ TA POMPA INOVA ÓRBITA, em que Gullar confessa que alcançou esta forma inusitada em estado de transe, que o radicalismo da subversão estrutural o levou.

Eis, portanto, a receita do poeta Gullar para o poema essencial: violentar a sintaxe, destruir o discurso e, com isso, revelar o que ele oculta. E conclui: a história é quem cria as formas revolucionárias; o novo não é apenas a evolução formal, como quer a maioria das vanguardas, mas participação nos rumos da vida social. E o próprio Gullar confessa que, se prosseguisse nessa busca desatinada pelo verso essencial,  alcançaria a própria loucura.

Ferreira Gullar é maranhense de São Luís, poeta, ensaísta, dramaturgo, ficcionista, tradutor e crítico de arte. Estreou em 1949, com o livro Um pouco acima do chão, poemas, edição Independente, São Luís-MA. Mas o próprio Gullar considera seu livro de estreia A luta corporal, poemas, ed. Independente, 1954-RJ, e que, ao lado do livro Poema sujo, 1977, 2 ed. Civilização Brasileira, RJ, constituem as obras mais famosas do poeta. E sobre Poema Sujo, disse Vinícius de Moraes: Gullar é o último grande poeta brasileiro. O poema sujo é o mais importante poema escrito no Brasil nos últimos dez anos, pelo menos. E não só no Brasil.

Fonte de consulta

l. MOUSINHO, Ronaldo Alves.  Lit. de Homero à contemporaneidade, enfoques histórico, teórico e prático, Editora Ideal, chancelado pelo FAC, 2002-DF.

2. Vestibular- gramática e literatura, Abril Cultural, 1974.

3. GULLAR, Ferreira. Poema sujo, Civilização Brasileira, 1977, RJ.

Brasília, maio de 2016.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

1ª COLETÂNEA POÉTICA DO CELEIRO

EDITAL Nº 1

Fiel aos objetivos de prestigiar os escritores e promover sua criação artística, dando-lhes a merecida notoriedade no cenário cultural de Brasília, o Celeiro Literário Brasiliense, Leia-me abre inscrições à edição de sua primeira coletânea poética, comemorativa do seu primeiro anuênio de fundação, denominada Colheita, seguida do número sequencial 01, faixa etária adulta, pelo sistema de adesão, dirigida aos poetas do Distrito Federal e Entorno, e aos de outros Estados, neste caso, a convite.

Art 1º- Ficam abertas as inscrições, no período de 15 de maio a 31 de julho do ano em curso, para textos éditos e inéditos, versando sobre qualquer tema.

Art.2º Os textos deverão ser enviados aos organizadores, Ronaldo Alves Mousinho e Hézio Teixeira, assessorados pelos escritores Ismar Lemes e Siddha Abraxas, pelo e-mail:  celeirobsb@gmail.com, na versão Word, corpo 12, espaço 1,5 entre linhas, com no máximo 90 toques (caracteres) por linha e 21 linhas por página, medindo 15x22cm.

§ 1º Os organizadores detêm poder pleno para decidir sobre qualquer conflito que por ventura sobrevenha ao presente certame.

§ 2º - Os organizadores, após receberem, online, os textos inscritos, expedirão o respectivo recibo, também online.

Art. 3º- A presente coletânea terá os registros de direito autoral, código de barras e ficha catalográfica, bem como, apresentação institucional do projeto Celeiro e uma breve incursão em torno da Arte Poética, objetivando imprimir-lhe maior utilidade e potencializando-a mais comercialmente. 

Art. 4º -Cada coletaneado participará com no mínimo 02 (duas) e no máximo 8 (oito) páginas, adquirindo-as em múltiplos de dois (2, 4 6 ou 8), para fins de adequação técnica na diagramação, ao custo de R$ 90,00 (noventa reais) a página, girando em torno de 120 (cento e vinte) páginas o livro, cujos valores serão depositados na conta poupança da CEF, Ag. 3494, variação 013, CP nº 00053297-2.

§ Primeiro- A primeira página de cada participante será destinada a uma foto 5x7, estilizada com o efeito gimp, como se fosse pintura, e biografia.

§ Segundo- O valor total das páginas adquiridas pelo participante poderá ser dividido em duas parcelas, sendo metade no ato da inscrição, e a outra, trinta dias após, sendo o dia 15 de agosto de 2016 o prazo limite para quitação da segunda cota, sob pena de cancelamento do participante e devolução do valor pago.

§ Terceiro- O valor total arrecadado das cotas cobrirá despesas de revisão, diagramação, edição, impressão, taxas de registros editorias/catalográficos, arte de capa, divulgação e do primeiro lançamento da presente coletânea.

Art. 5º- Aqueles textos que não se enquadrarem como arte poética, ou seja, que não tenham pertinência com os recursos poéticos, assim definidos pela teoria literária, bem como os que se valem de linguagem chula, baixo calão, ou mau gosto estilístico, serão recusados pelos organizadores.

§ Único- Mesmo com alguns dos vícios acima, se o texto for passível de conserto, os organizadores orientarão o respectivo autor para que o façam.

Art. 6º - Os textos serão revisados por profissionais com formação específica e segundo as novas normas do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, vigente desde janeiro do ano em curso, abrangendo aspectos estilísticos (equilíbrio e harmonia de linguagem), fonéticos (palavras de maior carga melódica e rítmica), lexical (palavras que melhor traduzam o sentido e economia), sintático, gramatical e de pontuação.

§ Único- Após revisão final, cada participante é convocado a autorizar por escritor a impressão da coletânea, na sede do Celeiro, em dia e horário previamente agendados.

Art. 7º- A cada coletaneado serão destinados exemplares da coletânea, na proporção da cota paga, ou seja, 5, para 2 páginas, 9, para 4 páginas, 12, para 6 páginas e 15, para 8 páginas adquiridas, entregues na noite de lançamento, sob a organização da equipe gestora do Celeiro, final de setembro ou início de outubro/2016, em dia, local e hora a ser definidos, cujas despesas de organização e divulgação já estarão inclusas na taxa de participação.

§ 1º- Caso os coletaneados queiram promover outros lançamentos, as despesas daí decorrentes serão rateadas entre eles, podendo contar com a organização pela equipe do Celeiro.

§ 2º - Necessitando mais de exemplares, serão repassados ao coletaneado a preço de custo.

Art. 8º- Os textos concorrentes à presente coletânea terão o direito autoral cedido pelos respectivos autores ao Celeiro Literário Brasiliense, exclusivamente para a edição desta coletiva, e cuja adesão já implica tal cessão de direito autoral.

Art. 9º- O saldo da coletânea, após entrega das respectivas cotas aos participantes, será doado à livraria do Celeiro para venda. Caso haja algum saldo financeiro das cotas arrecadadas, após efetuadas todas as despesas, o mesmo será destinado aos organizadores, como forme de pró-labore pelo trabalho desprendido.

Brasília, maio de 2016.

Organizadores.

terça-feira, 10 de maio de 2016

TRIBUNAECOLÓGICA

Deterioração dos serviços do ecossistema

A oferta de produtos naturais e básicos para a vida, como a água e o ar puros, depende da preservação e não há substitutos que possam ser criados pelo homem.

O ser humano, tanto dos centos urbanos quanto os que vivem em contato com a natureza, necessita de ecossistemas naturais, seja para o fornecimento de água e alimentos colhidos diretamente da natureza,quanto pelo processo ecossistêmicos, como a regulação hídrica, a polinização, e mesmo pelo controle biológico de pragas agrícolas.

A natureza é também fonte de contemplação e lazer, de fortalecimento social das pessoas e está associada a diversos valores estéticos, culturais e espirituais. E o conjunto de benefícios vindos dos ecossistemas e colhidos diretamente ou indiretamente pelo homem, denomina-se serviços ecossistêmicos.

O consumo dos recursos naturais cresceram muito nos últimos tempos, para satisfazer um padrão de vida cada vez mais confortável e, na mesma proporção, cresceram os resíduos, em regra, despejados sem tratamento diretamente nos lagos, rios, oceanos e nos ecossistemas terrestres.  E devido à atividade humana já transgredimos os limites de 3 fronteiras planetá-rias, pondo em grave ameaça a longa era conhecida por Holoceno, em que a terra foi  capaz de absorver perturbações internas e externas, e desde a revolução industrial vivenciamos um novo período – o Antropoceno, cuja maior característica é a centralidade das ações humanas sobre as mudanças ambientais globais.

A 1ª das fronteiras transgredidas foi a das mudanças climáticas, relacionada à emissão de gases de efeito estufa proveniente, a maioria, da queima de combustíveis fósseis e supressão da vegetação nativa. Para garantir as grandes camadas de gelo polar e manter o sistema terrestre com estabilidade, a concentração prudente de CO2 na atmosfera é de 350 partes por milhão (ppm), mas já ultrapassamos este nível em mais de 400, e, mesmo com o alerta da comunidade científica, as emissões continuam aumentando.

A 2ª fronteira ultrapassada foi a perda da diversidade biológica, que é considerada o impacto humano mais catastrófico e irreversível nos sistemas naturais, pois, além de suprimir definitivamente espécies diversas, poderá acarretar perdas de serviços  ecossistêmicos para as condições mínimas  de vida humana, ou outra. Estima-se que essa perda de espécie neste Antropoceno esteja entre 100 a 1000 vezes acima do ideal, e com repercuções na natureza, em razão da perda das funções ecológicas das espécies extintas, como a dos insetos (artrópodes), relacionados a processos de ciclagem de nutrientes, ao controle biológico das pragas e à polinização de cultivos alimentares ou não.

E a 3ª fronteirarefere-se à interferência  humana no manejo da agricultura moderna nos ciclos do nitrogênio e fósforo, que são depositados em grande quantidade nos oceanos, nas regiões costeiras e no próprio sistema terrestre, e já tem causado  mortandade em massa por anoxia (ausência de oxigênio), especialmente nos oceanos , rios e lagos.

A agricultura moderna, além de ser a maior causa de poluição, o é também de grandes áreas de ecossistemas naturais. Cerca de ¼ da superfície terrestre é destinado à produção de alimentos, e, nas últimas três décadas, a cobertura florestal reduziu-se em cerca de 40%. Serviços como atividade pesqueira, coleta de lenha e alimentos naturais; coleta de água doce para consumo direto, industrial e irrigação excederam níveis de sustentabilidade planetária.

A perda de fluxos dos serviços ecossistêmicos mostra-se danosa, pois, replicar os serviços fornecidos pelos sistemas naturaisé complexo e muito oneroso. É o que se constatou no experimento denominado Biosfera 2, em que pesquisadores criaram um ecossistema fechado no deserto do Arizona, USA, e tentaram replicar, sem sucesso, a biosfera da terra. Lá confinaram 8 pessoas , por 2 anos, mas não conseguiram garantir a perenidade daquele ambiente. A concentração de oxigênio caiu de 21% para 14%, obrigando à injeção de oxigênio puro ao interior daquela cápsula; detectou-se a concentração de altos níveis de dióxido de carbono e de óxido nítrico; algumas espécies, como a dos cipós e das formigas, proliferam em elevadas taxas, outras espécies se extinguiram, incluindo a maioria dos vertebrados e todos os insetos polinizadores, pondo em risco a sobrevivência de plantas que dependiam desses animais para reprodução. Isto demonstra que a preservação da biosfera 1, ou seja, do ecossistema natural, é imprescindível à manutenção da vida vegetal e animal.

Importante aspecto a ser observado é o da economia ecológica, comoalternativa autossustentável. E dentre os estudos de valorização ambiental no Brasil destacam-se o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o IPEA-Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, objetivando estimar a contribuição das unidades de conservação para a economia brasileira. Nesses estudos foi demonstrado que os serviços ecossistêmicos fornecidospelas áreas protegidas no Brasil geram economia de R$ 5,77 bilhões, por ano, em estimativa modéstia.  O programa avaliou 5 serviços fornecidos de maneira efetiva ou potencial: extração dos produtos florestais, p.ex. , extração de borracha e castanha-do-Pará, produção e conservação dos recursos hídricos no Brasil, atividades turísticas, controle na emissão de carbono e repartição de receitas do ICMSecológico. Apenas com as atividades realizadas no turismo dos parques nacionais do Brasil, há um potencial para gerar de R$ 1,6 a 1,8 bilhões, por ano, até 2016. Fonte de pesquisa: Revista Scientific American Brasil, nº 140/2014.

terça-feira, 3 de maio de 2016

INCURSIONANDO NO FANTÁSTICO MISTÉRIO

A Aurora Humana no Planeta(o mais extasiante momento da vida)
Por Ronaldo Alves Mousinho
A ancestralidade mamífera placentária direta da humanidade deu-se no sudoeste da Ásia, há mais de um milhão de anos, originária de primatas intermediários superiores, ou seja, animais diretos e imediatos da família humana.
 Constituiu-se de um casal de "irmãos", pré-humanos, com menos pelos que seus pais, e insistiam em andar e correr eretos, com pés e mãos bem desenvolvidos, à semelhança dos humanos modernos.   Habitava tanto as árvores, em habitações mais elaboradas que os seus ascendentes, à noite, para  se protegerem dos predadores;  e no chão, nas cavernas , durante o dia. Aprendera a usar a pedra e a clava, antes de seus ascendentes;  atingia a maturidade aos dez anos e vivia até aos quarenta anos. Bem cedo aprendera a se comunicar por meio de sons e sinais, porém, não conseguiu fazer o seu povo compreender esses novos símbolos.
Decorridos vinte mil anos e novecentos gerações, dessa espécie intermediária, deu-se o mais extraordinário momento da evolução da vida em nosso planeta: um salto evolutivo repentino , do estágio da semiconsciência para a consciência e para a ação guiada pela volição (vontade), há 954.500 anos.  E neste caso fantástico, as espécies evoluídas também se constituíram de uma casal de irmãos, mas agora gêmeos. Nasceu sob a tutela divina, intermediada por uma legião dos Portadores da Vida(1), originários do Universo Central, denominado Nébadon,  onde nossa galáxia representa apenas um minúsculo ponto. Os Portadores da Vida tiveram  a especial missão de favorecer e supervisionar esse mais fascinante momento do gênero humano em nosso planeta.
Esse casal primordial era perfeito, andava na vertical, não era trepador como os chimpanzés e subia nas árvores como hoje o fazemos.  Já manifestava o sentimento de admiração por objetos  e por outros animais,  de adoração, amor, respeito, ódio, vingança, a reverência, a humildade, e um pouco de gratidão, vaidade, ciúme, vergonha e piedade. Aos dez anos, aprendeu a comunicação verbal, em sinais e palavras. Antes desse estágio, apenas a intuição atuava em seus instintos e reflexos.  Aquelas espécies humanas primordiais alcançaram a maturidade aos treze anos e tinham longevidade de setenta a setenta e cinco anos.
A terra foi formalmente reconhecida como um planeta de residência humana no ano de 994.511, sob o domínio de Andon e Fonta, eram esses os nomes deles, aos onze anos de idade, conforme a mensagem do arcanjo : "A mente humana apareceu no 606 (ou seja, a terra), e esses pais da nova raça serão chamados Andon e Fonta. E todos os arcanjos oram para que essas criaturas possam rapidamente ser dotadas com a dádiva do espírito do Pai Universal residindo em suas pessoas".
E até chegar a este estágio evolutivo, o casal Andon, que significa a 1ª criatura semelhante ao Pai e capaz de demonstrar ter sede humana de  perfeição;  e Fonta, a 1ª criatura semelhante ao Filho, a demonstrar ter fome humana de perfeição. Esses nomes lhes foram atribuídos  quando da fusão deles com os Ajustadores do Pensamento.  Antes, eles chamavam um ao outro de Sonta-an, que significa amado pela mãe; e Sonta-en, amada pelo pai, nomes atribuídos por eles próprios. E até chegar ao estágio humano, o casal de gêmeos e toda sua ascendência estiveram na iminência de extinção, fosse por ataque dos predadores, ou nos conflitos entre membros de outras ou da mesma tribo(2).
Por destoar em evolução do restante de sua espécie, isto gerou ciúme em toda a tribo, pondo em risco a segurança pessoal dos gêmeos, levando-os a arquitetarem um plano de fuga. Para tanto, edificaram uma tosca morada para refúgio,  na copa de uma árvores, a meio dia, a Norte de seu lar na floresta.
Nesse ínterim, a mãe do casal gêmeo havia morrido em luta contra gibões que atacaram seus filhos. Agora, menos protegidos, e mais acirrado o ciúme do restante da tribo, principalmente porque todas as ações do casal sobressaíam em aprimoramento  às de sua espécie menos evoluída, o plano de fuga era imediato.
Foi numa noite de forte tempestade, em que os gêmeos, amedrontados, abraçaram-se ternamente e ali decidiram que não mais poderiam conviver na família imediata da tribo deles. E mesmo se expondo ao iminente perigo noturno dos terríveis predadores, empreenderam fuga na madrugada daquela noite e alcançaram com segurança o abrigo previamente construído. 
A decisão da fuga traduz uma qualidade de mente muito acima da inteligência grosseira que caracterizava vários descendentes dos gêmeos, que estacionaram no processo evolutivo, cruzando com os primos atrasados das tribos simianas. E a vaga consciência de que eram os gêmeos mais que animais veio-lhes da outorga e da amplificação da personalidade pela presença dos Ajustadores do Pensamento que passaram a residir em suas mentes.
O segundo fato extraordinário na vida do casal primordial foi o acasalamento, aos nove anos de idade, num meio dia luminoso, às margens de um rio, testemunhado por toda a inteligência divina estacionada na terra. E aquele entendimento amoroso selou o marco da descendência humana e a sua perpetuação no planeta, dois anos após, com o nascimento da primeira prole, do sexo masculino, denominado Sontad.
Outro fato extraordinário para toda a humanidade subsequente e extremamente jubilosa para  Andon e Fonta foi a  descoberta da  habilidade de fazer o fogo, que se deu durante a longa jornada de fuga em que o frio mais os castigava. Já haviam despertados para a necessidade de se protegerem com pele de outros animais para se aquecerem.  Os pais de Andon e Fonta já conheciam o fogo promovido por raios naturais e conseguiam mantê-los acesos, adicionando-lhes madeira seca, porém, foram incapazes de acenderem o fogo.
Ao cair de uma tarde, o casal encontra grande depósito de pedras de variado tamanho e formas, adequadas para vários usos, e levam com eles boa quantidade para suprimento futuro. Quando lascava as pedras para melhor se adaptarem ao uso, Andon descobriu a qualidade delas de fazerem chispas e concebeu a ideia de fazer fogo.  A partir de então, o casal tentou por dois meses acender o fogo, mas não conseguia, até que, um ninho de pássaro abandonado  em uma árvore chamou a atenção de Fonta,  e, ao tentar pegá-lo, o ninho caiu onde Andon tentava produzir a chispa, gerando abundante chama, deixando-os surpresos e assustados . E ali começou a primeira busca de lenha pelos pais da humanidade.
Esse casal primordial humano viveu 42 anos, tiveram 19 filhos, quase uma centena de netos e meia dúzia de bisnetos, e morreu em consequência de um abalo na terra, que provocou a queda de uma rocha pendente sobre o abrigo da família. Com Andon e Fonta morreram também  5 filhos e 11 netos.
Deu sequência ao clã andonita o filho Sontad com uma irmã, que se mantiveram unidos até a 20ª geração, quando a competição por alimentos e atritos sociais os fizeram dispersar.
Outra geração andonita estacionou  no processo evolutivo, quando uma dupla retardada, tanto mental quanto fisicamente, foi pai de um casal igualmente retardado, que somente se interessava pela comida. Era exclusivamente herbívoro, ao contrário dos outros, carnívoros, e indiferentes a conquistas ou a lutas pela caça, tendo como descendentes os símios  modernos, habitantes das regiões sulinas, de clima mais quente e suave, com abundância de frutas tropicais.
E assim, o homem e o macaco estão vinculados somente pelo fato de provirem dos mamíferos intermediários, de uma tribo da qual  nasceram simultaneamente 2 pares de gêmeos com suas subsequentes descendências, mas não dos mesmos pais. E a dupla que nos originou somente sobreviveu porque escondeu-se por 2 semanas com mantimentos, em um abrigo subterrâneo, enquanto acontecia o último combate de sua tribo.
Este texto se embasa nas teorias da criação e da evolução, destoando daquela na denominação dos personagens e nos lapsos de tempo decorrido para a longa marcha evolucionária;  e da segunda, por desprezar a intervenção divina no processo, e por admitir a existência de um elo perdido na trajetória evolucionária, o que no presente texto não o admite, porém, saltos repentinos de evolução , segundo a vontade de Deus Universal.
E segundo declaração de um dos Portadores da Vida, nenhuma vida veio para a terra transportada de outro mundo. Ela é original aqui do nosso planeta. E não há em nenhum universo, seja no nosso, ou noutro,  vida igual a nossa. Fonte: O Livro de Urântia.
(1) Há 550 milhões de anos, os Portadores da Vida, em cooperação com as forças espirituais e com as forças suprafísicas  organizaram e implementaram os modelos originais de vida na terra.  
(2) A rã, o nosso  ancestral pré-réptil, que migrou dos mares para a terra na era carbonífera, há 210 milhões de anos, só não teve sua espécie extinta , e, por consequência, a nossa não teria existido,  porque conseguiu dar um salto de 5cm quando perseguida por um predador.