Nos livros A canção da manhã acesa em teus olhos, 112 páginas, e nO incêndio dos passos, 112 páginas, ambos poesia em 2 ed., 1999-DF, pelas editoras TC Gráfica e Vestcon, tem-se uma alquimia de fortes emoções, fustigadas ora pela poesia de resistência e libertária ( Aurora civil e A olha nu), ora pelos meandros imprevisíveis do amor extasiante, ausente, aniquilante e escapista (Essência, Engenharia mutilada, Ruínas), ou ainda pela fugacidade de um tempo que se esvai célere, implacável para o poeta, em busca ansiada por uma utopia possível. E é nessa ciranda aprisionadora que a persistência instiga o poeta a prosseguir (Lições da manhã, Antes do último pouso).
Riqueza de recursos imagéticos, como prosopopeia, hipérbole, antropomorfismo, perífrase, metonímia, paradoxo, sinestesias e metáforas, em agudos saltos dramáticos, já no poema de abertura do livro O incêndio dos passos, são marcante no estilo do poeta, a lembrar a grandiloquência do poeta condoreiro. Para tanto, vale-se o autor Domingos dos elementos cósmicos, correlacionando-os ao eu-lírico intenso, e ao cronos – componente de uma quase tragicidade a limiar o amante submisso (Nebuloso, Incêndio, Cegueira).
E mesmo nesse redemoinho conflitivo – carência de amor e de justiça social, em fatídico niilismo (Órfão de mim), o poeta é acossado por lampejos eróticos (Carne em fogo), estimulado pela quarentena amorosa (Algemas).
O poeta Domingos é detentor de um estilo bem pessoal, intimista, dorido, ansioso por conciliar paz física e espiritual, especialmente no livro A canção da manhã acesa em teus olhos, em que prevalecem as metáforas inteligentemente elaboradas.
Partindo das sendas intimistas, o poeta projeta-se em dimensão universal, em aguda comiseração, no paradoxo libertação versus submissão, em que digladiam esperança e pessimismo, utilizando-se de um léxico bem seletivo, por onde deambula circunstancialmente notívago.
De todo o livro A canção da manhã acesa destoam alguns flashs de infância da temática amorosa prevalente, e no segmento que principia com Pouco importa (página 53), pois o livro constitui-se de uno e longo poema, verifica-se a mais bela revelação criativa do autor, nas temáticas sensual e erótica.
A dor do poeta Domingos é a dor de muitos, especialmente a dor por justiça, porém, não a dor do amor, pessoal, intransferível. E é nesta que os leitores se solidarizam com o autor, pela força com que nos sensibiliza.
E, "...À medida que nos embrenhamos nA canção da manhã...ardemos nas chamas desse incendiário dos sonhos", como apropriadamente nos revelam no posfácio o professor e poeta Filemon Félix ; e "... nos ensina o poeta, em O incêndio dos passos, que é preciso "furar a membrana do tempo", ultrapassando "as artérias vivas do dia, para que possamos penetrar sutil e verdadeiramente na " pupila do sol", no prefácio, o poeta Menezes de Morais.
Brasília, agosto de 2017.
*Ronaldo é Professor, Escritor, Juiz de Paz.
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