domingo, 17 de dezembro de 2017
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Estreia poética de D’Gáudio Procópio em Portal das Almas - *Ronaldo Alves Mousinho
Portal das Almas, de autoria de Josafá Araújo Procópio, poesia, edição independente, com apoio cultural de Orto-Med, Art Final Cópias Ultra Rad e do Dr. Alexandry Dias Carvalho, 71 páginas, 2012, Teresina-Piauí.
D'Gáudio Procópio é pseudônimo do poeta estreante, maranhense domiciliado em Teresina há quatro décadas, e com marcante atuação nos movimentos populares de esquerda.
Compõe-se o livro de poesias (os floretos, 1ª parte, à exceção do poema de abertura, denominado O Portal das almas) e poemas, à exceção do floreto que fecha o livro), transitando pelas temáticas de confragação, tragicidade, justiça social, desilusão amorosa, visão apocalíptica, fatalítica, de esperança, do místico. da espiritualidade, da eternidade da vida, doutrinária, ufanista, particularmente telúrica.
Nota-se uma obsessão do autor por um léxico erudito, caindo por vezes em exageros e no ininteligível; ocorrência de pleonasmos superlativos e algumas impropriedades lexicais; e, por outro lado, a utilização de um vocabulário mais corrente, natural e bem mais próximo da linguagem oral, prevalente nos textos modernistas e de temáticas circunstanciais. São dois níveis inconciliáveis de estilos, mas que, no futuro, o autor encontrará um meio termo, resultante do confronto de ambos e do exercício continuado. Eis alguns fragmentos de linguagem erudita, em Portal das Almas, porém confusa e contraditória: "Um furor devastador, agonia intensa", "debate-se inerte", O engodo lhe mente", "Transforme-se o indouto em douto do proveito", Uma sombra inerte aos tormentos", "Ser mestre é ser indiferente a raça, credo, cor", "Por ser o inerente do descompasso abstrato", "Louco que desconhece a plena razão", "O amor é uma sombra inerte aos tormentos".
A alma é tema recorrente, já a partir do título, assim também a morte. O autor manifesta simpatia por elementos clássicos, particularmente na titulação de alguns poemas (Diva, Musa, Hades, F|ênix, Lira).
O autor declara, em nota de abertura do livro, ter dado nova versão ao soneto, a que denominou floreto, numa composição sintagmática de flores+soneto, livre de métrica, obedecendo sempre, às rimas padronizadas (o que nem sempre ocorre), e destoando ainda da forma original da espécie clássica quanto ao número de tercetos, que no floreto poderá comportar três tercetos.
Ao longo dos séculos, no entanto, o soneto clássico sofreu alterações na forma, com o acréscimo de um terceto, denominado estrambote; na variedade de sílabas métricas, o nominado versos heterométricos, variando dos monossilábicos ao Alexandrino; nos versos livres de qualquer rima, e, ainda, todo o soneto composto em única estrofe de catorze versos.
A ideia de inovar é sempre positiva, especialmente quando revelo o novo aprimorado. E neste caso particular valeu pela criação do neologismo floreto.
É oportuno lembrarmos de alguns preceitos indispensáveis a quem envereda pela especial alquimia poética. Praticar a autocrítica, que resulta do autoconhecimento e disciplina do raciocínio, para agir com objetividade, sem preconceito e cm imparcialidade; saber exprimir em palavras, organicamente relacionadas, uma visão plena do mundo. Isto é o que nos lembra o nosso conterrâneo e saudoso gênio em juventude Mário Faustino.
D'Gáudio Procópio é poeta de forte inspiração, disciplina e razoável aptidão poética, iniciando uma ´promissora caminhada.
Brasília, agosto de 2017.
A Engenharia Poética de Domingos Pereira Netto. *Ronaldo Alves Mousinho
Nos livros A canção da manhã acesa em teus olhos, 112 páginas, e nO incêndio dos passos, 112 páginas, ambos poesia em 2 ed., 1999-DF, pelas editoras TC Gráfica e Vestcon, tem-se uma alquimia de fortes emoções, fustigadas ora pela poesia de resistência e libertária ( Aurora civil e A olha nu), ora pelos meandros imprevisíveis do amor extasiante, ausente, aniquilante e escapista (Essência, Engenharia mutilada, Ruínas), ou ainda pela fugacidade de um tempo que se esvai célere, implacável para o poeta, em busca ansiada por uma utopia possível. E é nessa ciranda aprisionadora que a persistência instiga o poeta a prosseguir (Lições da manhã, Antes do último pouso).
Riqueza de recursos imagéticos, como prosopopeia, hipérbole, antropomorfismo, perífrase, metonímia, paradoxo, sinestesias e metáforas, em agudos saltos dramáticos, já no poema de abertura do livro O incêndio dos passos, são marcante no estilo do poeta, a lembrar a grandiloquência do poeta condoreiro. Para tanto, vale-se o autor Domingos dos elementos cósmicos, correlacionando-os ao eu-lírico intenso, e ao cronos – componente de uma quase tragicidade a limiar o amante submisso (Nebuloso, Incêndio, Cegueira).
E mesmo nesse redemoinho conflitivo – carência de amor e de justiça social, em fatídico niilismo (Órfão de mim), o poeta é acossado por lampejos eróticos (Carne em fogo), estimulado pela quarentena amorosa (Algemas).
O poeta Domingos é detentor de um estilo bem pessoal, intimista, dorido, ansioso por conciliar paz física e espiritual, especialmente no livro A canção da manhã acesa em teus olhos, em que prevalecem as metáforas inteligentemente elaboradas.
Partindo das sendas intimistas, o poeta projeta-se em dimensão universal, em aguda comiseração, no paradoxo libertação versus submissão, em que digladiam esperança e pessimismo, utilizando-se de um léxico bem seletivo, por onde deambula circunstancialmente notívago.
De todo o livro A canção da manhã acesa destoam alguns flashs de infância da temática amorosa prevalente, e no segmento que principia com Pouco importa (página 53), pois o livro constitui-se de uno e longo poema, verifica-se a mais bela revelação criativa do autor, nas temáticas sensual e erótica.
A dor do poeta Domingos é a dor de muitos, especialmente a dor por justiça, porém, não a dor do amor, pessoal, intransferível. E é nesta que os leitores se solidarizam com o autor, pela força com que nos sensibiliza.
E, "...À medida que nos embrenhamos nA canção da manhã...ardemos nas chamas desse incendiário dos sonhos", como apropriadamente nos revelam no posfácio o professor e poeta Filemon Félix ; e "... nos ensina o poeta, em O incêndio dos passos, que é preciso "furar a membrana do tempo", ultrapassando "as artérias vivas do dia, para que possamos penetrar sutil e verdadeiramente na " pupila do sol", no prefácio, o poeta Menezes de Morais.
Brasília, agosto de 2017.
*Ronaldo é Professor, Escritor, Juiz de Paz.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Edital da Coletânea Colheita 2
quarta-feira, 1 de março de 2017
O TEMPO
Anjo, Senhor e carrasco;
Aurora e ocaso da vida,
Guardião que não espera
A quem se atrasa na lida.
Vida, parceira indissociável,
Com quem define o percurso,
Em ritmo contínuo, progressivo.
E se imprimem as marcas no semblante e n'alma,
Testemunhadas na poeira das distâncias,
A esperança que compele ao futuro
Dá-nos a ventura de contemplar a vida em seus vieses,
E o inusitado revelado.
É preciso festejar cada estágio da jornada,
Ante aos sobressaltos da certeza do fim da caminhada,
Que a espiritualidade presenteia-nos.
E quanto mais concede, mais abrevia a trajetória,
Sela-nos o destino,
Sigiloso, unilateralmente.
Mas consola-nos, quem sabe,
O desvendar-se do grande mistério,
E o júbilo ante à aparente incompletude,
Que nos faz, a um tempo, finito, conjugado;
E noutro, uno e eterno.
Ronaldo Alves Mousinho
Brasília, fevereiro de 2017
VIAGEM ESPACIAL – PROJETOS FANTÁSTICOS
*Ronaldo Alves Mousinho
A recente descoberto do planeta Próxima b, da estrela Proxima Centauri, a mais próxima do Sistema Solar, a menos de 4,25 anos-luz da terra, estimulou os cientistas para as viagens espaciais.
Para entendermos a dimensão da distância de Proxima b, a 4,25 bilhões de anos-luz, da Terra, vejamos: a distância padrão de comparação média entre o sol e a terra corresponde apenas a uma Unidade Astronômica (UA) , e a Proxima Centauri está a 268 mil UA.
As sondas que viajaram ao espaço, Pioneer, Voyager e New Órion, são bem eficientes espaciais, mas ainda ineficientes para viagens interestelares. A Voyager é a mais veloz e a que atingiu maior distância, já ultrapassou Plutão, ano passado, que está a apenas 39,5 UA. Lançada em 1977, viajando a 61,200 km/h. ou 19 horas-luz, e mesmo com essa velocidade somente chegaria à Proxima Centauri em 75 mil anos. O que fazer para alcançar o planeta recém-descoberto e distante 40 trilhões de km da Terra?
A 1ª ideia foi utilizar, em 1958, a tecnologia da bomba nuclear, mas agora para fins pacíficos. O projeto, denominado Órion, coord. pelos físicos Ted Taylor, americano, e Freeman Dyson, inglês. A nave teria 100m de diâmetro, pesando 400 toneladas e equipada com 300 mil bombas atômicas, que seriam detonadas sucessivamente na trazeira da nave, impulsionando-a rumo ao destino cósmico. Alcançaria 10% da velocidade da luz, com previsão de chegada à Proxima Centauri em 43 anos. Mas o projeto foi abortado em 1960, com a edição do acordo de não proliferação das bombas nucleares.
Em 2010 veio outro projeto da empresa japonesa Jaxa, que lançou uma sonda a Vênus,
com uma pequena espaçonave, a Ícaros, em formato de um veleiro, cujas velas se abririam no espaço para captar luz solar como fonte propulsora. Também foi descartada, pois, quando alcançasse as proximidades do planeta, teria que se afastar do Sol, perdendo assim a fonte de energia.
O 3º projeto, denominado Starshort foi idealizado pelo físico britânico Stephen Hawking e tecnologia do físico americano Phillip Lubin. Consiste em construir em solo uma rede de canhões a lasers que, disparado para o espaço, impulsionaria a nave, também em formato de veleiro, bem leve, a uma velocidade 20% da luz, o que permitiria alcançar Proxima Centauri em torno de 20 anos. Porém surgiu outro obstáculo. Uma vez chegando ao destino, como parar os impulsos dos lasers? Os cientistas ainda não sabem como frear a espaçonave.
Vem o 4º projeto, denominado EmDrive, usaria o vácuo como combustível, à semelhança de um motor eletromagnético, pois, segundo os conceitos da quântica, o vácuo, ao contrário do que se sabia, é um lugar cheio de turbulência de partículas, que seriam carreadas como energia para mover a nave. O físico da Nasa, Harold White, está à frente do projeto e já constatou que a EmDrive pode impulsionar uma sonda a 9,4% da velocidade da luz, com uma tempo de chegada ao destino em 90 anos. E, embora leve mais tempo que no projeto anterior, tem a garantia de controlar o sistema de propulsão e o de freio.
E o impasse persiste, pois somente uma nave com velocidade igual, 300 mil km/s, ou superior à da luz faria o percurso em tempo razoável.
E é o cientista Albert Einstein, autor da Lei da Relatividade, que mostra a saída para este impasse.
Pela Lei da Relatividade, Einstein provou que o espaço não é fixo e é passível de ser dobrado, curvado, como um tecido. Assim, ante à impossibilidade de viajar igual ou superior à luz, pode-se dobrar o espaço à frente, conceito denominado dobra espacial, e encurtar a distância, mesmo a uma velocidade inferior à da luz, usada ficcionalmente na série de TV, Jornada nas Estrelas.
Essa viabilidade foi constatada pelo físico holandês Hendrix Casimir, em 1948, num experimento de energia negativa, em que duas placas metálicas se atraem, mesmo tendo energia negativa entre elas. Esse experimento foi confirmado também em 1997 por Harold White, confirmando ser possível viajar a uma velocidade dez vezes superior à da luz, o que permitiria chegar ao planeta Proxima b em apenas seis meses.
É aguardar a concretização dessa teoria viável.
Fonte de pesquisa: Revista Superinteressante, ed. 367-nov/dez/2016.
Brasília, março de 2017.
*Ronaldo Alves Mousinho, Professor, Escritor, Ambientalista e Juiz de Paz.



