quarta-feira, 1 de março de 2017

O TEMPO

Anjo, Senhor e carrasco;

Aurora e ocaso da vida,

Guardião que não espera

A quem se atrasa na lida.

Vida, parceira indissociável,

Com quem define o percurso,

Em ritmo contínuo, progressivo.

E se imprimem as marcas no semblante e n'alma,

Testemunhadas na poeira das distâncias,

A esperança que compele ao futuro

Dá-nos a ventura de contemplar a vida em seus vieses,

E o inusitado revelado.

É preciso festejar cada estágio da jornada,

Ante aos sobressaltos da certeza do fim da caminhada,

Que a espiritualidade presenteia-nos.

E quanto mais concede, mais abrevia a trajetória,

Sela-nos o destino,

Sigiloso, unilateralmente.

Mas consola-nos, quem sabe,

O desvendar-se do grande mistério,

E o júbilo ante à aparente incompletude,

Que nos faz, a um tempo, finito, conjugado;

E noutro, uno e eterno.


Ronaldo Alves Mousinho  


Brasília, fevereiro de 2017

VIAGEM ESPACIAL – PROJETOS FANTÁSTICOS

*Ronaldo Alves Mousinho

 

A recente descoberto do planeta Próxima b, da estrela Proxima Centauri, a mais próxima do Sistema Solar, a menos de 4,25 anos-luz da terra, estimulou os cientistas para as viagens espaciais.

Para entendermos a dimensão da  distância de Proxima b, a 4,25 bilhões de anos-luz, da Terra, vejamos: a distância padrão de comparação média entre o sol e a terra corresponde apenas a uma Unidade Astronômica (UA) , e a Proxima Centauri está a 268 mil UA.

As sondas que viajaram ao espaço, Pioneer, Voyager e New Órion, são bem eficientes espaciais, mas ainda ineficientes para viagens interestelares. A Voyager é a mais veloz e a que atingiu maior distância, já ultrapassou Plutão, ano passado, que está a apenas 39,5 UA. Lançada em 1977, viajando a 61,200 km/h. ou 19 horas-luz, e mesmo com essa velocidade somente chegaria à Proxima Centauri em 75 mil anos. O que fazer para alcançar o planeta recém-descoberto e distante 40 trilhões de km da Terra?

A 1ª ideia foi utilizar, em 1958, a tecnologia da bomba nuclear, mas agora para fins pacíficos. O projeto, denominado Órion, coord. pelos físicos Ted Taylor, americano, e Freeman Dyson, inglês. A nave teria 100m de diâmetro, pesando 400 toneladas e equipada com 300 mil bombas atômicas, que seriam detonadas sucessivamente na trazeira da nave, impulsionando-a rumo ao destino cósmico. Alcançaria 10% da velocidade da luz, com previsão de chegada à Proxima Centauri em 43 anos. Mas o projeto foi abortado em 1960, com a edição do acordo de não proliferação das bombas nucleares.


Em 2010 veio outro projeto da empresa japonesa Jaxa, que lançou uma sonda a Vênus,

com uma pequena espaçonave, a Ícaros, em formato de um veleiro, cujas velas se abririam no espaço para captar luz solar como fonte propulsora. Também foi descartada, pois, quando alcançasse as proximidades do planeta, teria que se afastar do Sol, perdendo assim a fonte de energia.

O 3º projeto, denominado Starshort foi idealizado pelo físico britânico Stephen Hawking e tecnologia do físico americano Phillip Lubin. Consiste em construir em solo uma rede de canhões a lasers que, disparado para o espaço, impulsionaria a nave, também em formato de veleiro, bem leve, a uma velocidade 20% da luz, o que permitiria alcançar Proxima Centauri em torno de 20 anos. Porém surgiu outro obstáculo. Uma vez chegando ao destino, como parar os impulsos dos lasers? Os cientistas ainda não sabem como frear a espaçonave.

Vem o 4º projeto, denominado EmDrive, usaria o vácuo como combustível, à semelhança de um motor eletromagnético, pois, segundo os conceitos da quântica, o vácuo, ao contrário do que se sabia, é um lugar cheio de turbulência de partículas, que seriam carreadas como energia para mover a nave. O físico da Nasa, Harold White, está à frente do projeto e já constatou que a EmDrive pode impulsionar uma sonda a 9,4% da velocidade da luz, com uma tempo de chegada ao destino em 90 anos. E, embora leve mais tempo que no projeto anterior, tem a garantia de controlar o sistema de propulsão e o de freio.

E o impasse persiste, pois somente uma nave com velocidade igual, 300 mil km/s, ou superior à da luz faria o percurso em tempo razoável.

E é o cientista Albert Einstein, autor da Lei da Relatividade, que mostra a saída para este impasse.


Pela Lei da Relatividade, Einstein provou que o espaço não é fixo e é passível de ser dobrado, curvado, como um tecido. Assim, ante à impossibilidade de viajar igual ou superior à luz, pode-se dobrar o espaço à frente, conceito denominado dobra espacial, e encurtar a distância, mesmo a uma velocidade inferior à da luz, usada ficcionalmente na série de TV, Jornada nas Estrelas.

Essa viabilidade foi constatada pelo físico holandês Hendrix Casimir, em 1948, num experimento de energia negativa, em que duas placas metálicas se atraem, mesmo tendo energia negativa entre elas. Esse experimento foi confirmado também em 1997 por Harold White, confirmando ser possível viajar a uma velocidade dez vezes superior à da luz, o que permitiria chegar ao planeta Proxima b em apenas seis meses.

É aguardar a concretização dessa teoria viável.

Fonte de pesquisa: Revista Superinteressante, ed. 367-nov/dez/2016.

 

Brasília, março de 2017.

*Ronaldo Alves Mousinho, Professor, Escritor, Ambientalista e Juiz de Paz.